Thursday, January 14, 2016

Entrada 2: O Enfermeiro

"Os anos foram andando, a memória tornou-se cinzenta e desmaiada. Penso às vezes no coronel, mas sem os terrores dos primeiros dias. Todos os médicos a quem contei as moléstias dele, foram acordes em que a morte era certa, e só se admiravam de ter resistido tanto tempo. Pode ser que eu, involuntariamente, exagerasse a descrição que então lhes fiz..." -- O Enfermeiro, Machado de Assis, página 5

Esta citação vem de uma conta de Machado de Assis. Durante a história, o narrador fala muito sobre a aparência dele nos olhos das outras pessoas da vila onde ele mora e cuida de um senhor. O narrador, Precópio, conta a história de quando ele trabalhava para o senhor. O senhor tratava o Precópio muito ruim, até uma noite que o senhor bateu em Precópio e o Precópio retalia contra ele e mata-o. Em vez de falar a verdade, o Precópio não fala sobre o assissino que fez e deixa a vila pensar que o senhor morreu por causa de infermidade em vez de ser morto pelo Precópio. Esta passagem mostra como o Precópio começou a acreditar na sua própia história falsa e ficou enganado por si mesmo.

Creio que muitas vezes nós seres humanos conseguimos nos enganar de nossas faltas. Não queremos saber de nossas falhas e erros. Mostramos nosso melhor lado para as pessoas porque queremos mostar como somos bons, ou perfeitos, ou qualquer outra qualidade que queremos mostrar. Preocupamos tanto com a nossa aparência que enganamos nos mesmos com as histórias falsas que contamos. Ficamos tão preocupados com as opinões das outras pessoas que nos perdemos. Como o Precópio, nossas memórias se tornam cinzentas e acreditamos mais nas falsidades que criamos do que na realidade. Ignoramos o que fizemos de ruim e exageramos as qualidades boas até que não sabemos quem nós somos.

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